Os Irfan são um
coletivo búlgaro formado em Sófia em 2001. O seu nome, resgatado à terminologia
Sufi, que em persa e árabe significa “gnosis”, “conhecimento místico” ou
“revelação”, induz o seu próprio universo, baseado numa cultura de evocações
ancestrais, repleto de referências sagradas e de elementos étnicos. A
excecional voz de Denitza Seraphimova, que nos lembra a de Lisa Gerrard (Dead
Can Dance), formou-se nos coros das tradicionais misteriosas vozes búlgaras.
Denitza é o elemento central de um grupo que funde com grande mestria
influências de várias culturas. A música dos Irfan é um convite a uma viagem
mística no tempo, uma mensagem poeticamente estendida na linguagem do amor.
Apesar da dificuldade em se catalogar a música dos Irfan, os críticos são
unânimes em a considerar como uma espécie de fusão das várias músicas étnicas,
nomeadamente das tradições búlgara, persa, caucasiana, do Norte de África e do
Médio Oriente, fortemente impregnadas pela herança cultural do Império
Bizantino e da música medieval ocidental.
“In The Gardens Of Armida”, lançada em 2015 no álbum “The Eternal
Return”, evoca um célebre mito literário e artístico ocidental. O título
refere-se diretamente ao poema épico do século XVI “Gerusalemme liberata”
(Jerusalém Libertada), escrito pelo italiano Torquato Tasso. Na obra, Armida é uma feiticeira pagã que cria um jardim encantado
para aprisionar o cavaleiro cruzado Rinaldo através da sedução e de feitiços
amorosos, afastando-o dos seus deveres de guerra. "Os Jardins de Armida" tornaram-se uma metáfora universal
para a tentação, os prazeres sensuais e a ilusão que paralisam a força de
vontade. Fiel ao estilo neoclassical, darkwave e world music dos
Irfan, a faixa utiliza uma atmosfera mística e melancólica que recria
sonoramente esse ambiente de feitiçaria, isolamento e beleza hipnótica do
jardim medieval.




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