Mohammad-Reza
Shajarian (1940-2020),
originário do Khorassan (Irão), foi o maior expoente do avaz (a arte
tradicional de cantar a poesia clássica persa). Destacou-se
pela sua voz profunda e emotiva, pela sua técnica perfeita e pelo seu papel
fundamental na preservação da cultura do seu país. A música de Shajarian é complexa e rica e o cantor e compositor usa a voz
para pintar sentimentos profundos e estados de alma. Ao longo de mais de
cinco décadas de carreira, Shajarian consolidou-se como o maior guardião do Radif
(o cancioneiro tradicional do Irão) e tornou-se, indubitavelmente, o intérprete
mais influente da música iraniana. Em 1999, a UNESCO concedeu-lhe o Prémio
Picasso e, em 2006, a Medalha Mozart. Em 2017, o Los Angeles Times
considerou-o como "O maior maestro vivo da música clássica persa".
“Nedaye Eshgh”, frequentemente
grafado como Nedoye Eshgh, foi
editado por Mohammad-Reza Shajarian como um single isolado no final de
2019, ao contrário dos seus monumentais
álbuns conceituais gravados ao vivo ou em estúdio, com instrumentos puramente
tradicionais persas (como o tar, o santoor e o kamancheh).
Este tema possui uma importância singular e
altamente atípica na discografia do mestre da música clássica persa, tanto mais que representa uma das raríssimas
vezes em que o canto avaz (tradicional e improvisado) foi oficialmente
fundido com a música ambient e eletrónica, através de uma colaboração e
remistura com o projeto Seventh Soul. Serviu para Shajarian
como uma ponte moderna para apresentar a poesia mística e o canto clássico a
uma nova geração de ouvintes iranianos. O poema aborda o "chamamento do amor"
e a ideia de que todos os seres humanos provêm da mesma fonte divina. Ouvintes
ocidentais que não compreendem o idioma farsi conseguem absorver o
impacto emocional do tema, graças à entrega vocal emotiva de Shajarian, que
transmite a urgência e a devoção contidas nas palavras do célebre poeta persa
Hafez, do século XIV.












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