Nusrat Fateh Ali Khan (nascido a 13/10/1948, em Faisalabad, Paquistão
e falecido a 16/08/1997, em Londres, Inglaterra) foi considerado o maior
intérprete contemporâneo de Qawwali, o canto religioso da corrente
espiritual mística islamista Sufi. Com uma voz potente, incrivelmente bem
timbrada e inimitável, Nusrat foi o continuador de uma tradição musical que, na
sua família, remontava a seis séculos de interpretação de Qawwali,
seguindo as pisadas do pai, o também respeitadíssimo cantor Ustad Fateh Ali
Khan. Nusrat gravou mais de 100 álbuns,
granjeando a admiração e veneração de Peter Gabriel pelas suas performances, o
que os levou a trabalhar juntos em vários projetos que incluíram um álbum de
compilações, várias atuações ao vivo e o lançamento de registos para a companhia
discográfica Real World. Nas suas atuações, Nusrat Fateh Ali Khan fixava as audiências e monopolizava-as, dada
a qualidade meditativa, hipnótica e transcendental da sua música.
“Yeh Jo Halka Halka
Saroor Hae” (também grafada como Suroor Hai), composta e interpretada
originalmente pelo lendário artista paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan, é uma
das obras mais profundas e célebres da história do Qawwali (música
devocional sufi). Apareceu pela primeira vez numa gravação ao vivo de 1979 no Reino
Unido, lançada em 1980 pela editora britânica Oriental Star Agencies no álbum
ao vivo “Yeh Jo Halka Halka, Saqi Mere Saqi, Mere Baad Kisko Satao Ge”. Posteriormente,
o tema foi reeditado em vários outros álbuns de compilações e versões de
estúdio ao longo das décadas de 1980 e 1990, nomeadamente em “Yeh Jo Halka
Halka” (1991, Jaro Medien), “The Day, the Night, the Dawn, the Dusk” (1991,
Shanachie) e “Love
Songs” (1992, Real World). A letra (baseada em versos de poetas Sufis) utiliza
a metáfora da embriaguez e do vinho, uma linguagem poética Sufi muito comum
para expressar o amor. O "Saqi" (o servo que serve o vinho)
representa o mestre espiritual ou o próprio Divino e o "Saroor"
(a leve embriaguez) é o estado de êxtase místico alcançado através da devoção
absoluta e da proximidade com Deus. Musicalmente, a canção destaca-se pelo
ritmo hipnotizante e pela progressão emocional típica do Qawwali
clássico. Começa de forma lenta, com o som do harmónio e dos aplausos ritmados
(Taali), mas, à medida que a canção avança, o ritmo acelera gradualmente
guiado pelas tablas (percussão), levando os ouvintes e os músicos a um estado
de quase transe espiritual.
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