Romică Puceanu (1927–1996),
considerada a rainha da canção cigana na Roménia, ficou conhecida como a
"Billie Holiday do Leste", graças à sua voz profunda e às suas
interpretações de canções de mahala (subúrbios de Bucareste) e canções lăutărească
(tradicionais ciganas romenas). Diva corpulenta, tragicamente desaparecida num
acidente de carro, Romică Puceanu emergiu como a expressão por excelência de um
estilo dolente e fatalista, não destituído de um certo charme exótico.
Tornou-se na
principal estrela dos restaurantes e salões de festa de Bucareste durante as
décadas de 1960 a 1980 e elevou o folclore e as canções de taberna da Roménia a
um patamar de expressividade artística comparável aos grandes nomes do jazz.
“Erau
zarzării-nfloriţi”, lançado pela primeira vez na Roménia no álbum “Cine Nu Știe
Ce-i Doru” (Electrecord, 1975), ganhou projeção internacional graças à sua
inclusão na magnífica antologia “Road of the Gypsies: L'Épopée Tzigane” (Network,
1996). Trata-se de uma faixa sublime da música tradicional romena e cigana (muzică
lăutărească), resultado da colaboração lendária entre a diva Romică Puceanu
e a Orchestra Florea Cioacă. A letra da canção aborda a melancolia da passagem
do tempo, a nostalgia da juventude e as desilusões do amor, usando a primavera
e a natureza como contrastes para a dor emocional. A voz visceral de Romică transmite
uma melancolia profunda e uma alma crua, traços que a consagraram como a rainha
da “muzică de mahala”, o estilo de música urbana e folclórica da
Roménia. A Orquestra de Florea Cioacă oferece um acompanhamento rico em
ornamentos de violino e acordeão, evocando uma sensação de lamento e
"cansaço existencial" misturado com uma beleza poética marcante, definindo
o som clássico e vibrante da Roménia rural e urbana do século XX.





