quarta-feira, 1 de julho de 2026

18. “The Host of Seraphim” (1988, 4AD) - Dead Can Dance (Austrália)

 

Os Dead Can Dance são um famoso duo musical de culto formado em Melbourne, na Austrália, em 1981, composto por Lisa Gerrard e Brendan Perry. A banda mudou-se para Londres, no ano seguinte, engrossando os quadros da carismática editora independente 4AD. Fundindo, ao longo dos tempos, géneros musicais tão diferentes como a pop, a folk, música medieval e renascentista, ritmos tribais e inspirações vindas um pouco de todo o mundo, os Dead Can Dance criaram peças de uma beleza intemporal, fluida e etérea, a maior parte delas coroadas pela voz mágica de Lisa Gerrard. Considerado pioneiro no subgénero neoclassical darkwave, o duo separou-se em 1998, mas juntou-se várias vezes para digressões mundiais e lançou novos álbuns, como “Anastasis” (2012) e “Dionysus” (2018).



“The Host of Seraphim”, o tema de abertura do álbum “The Serpent's Egg” (1988), é o mais emblemático e reconhecido dos Dead Can Dance. A obra destaca-se pela sua atmosfera épica, espiritual e fúnebre, misturando cantos operísticos e instrumentação gótica. O título remete diretamente aos serafins (seres celestiais ou anjos da mais alta ordem na tradição judaico-cristã), com a intenção de evocar uma sensação de transcendência e pureza. Curiosamente, enquanto a melodia soa divina, a letra escrita por Brendan Perry aborda o desencanto, a desilusão amorosa e o peso de expetativas frustradas numa relação. Lisa Gerrard usa a voz como um instrumento e não canta palavras reais, mas sim uma linguagem inventada (glossolalia), o que reforça o tom épico e místico do tema. Frequentemente descrita como uma experiência sonora trascendental que evoca a vastidão da morte e do divino, "The Host of Seraphim" é aclamada pela crítica como uma obra-prima gótica e etérea, tendo ganho fama mundial ao integrar a banda sonora do aclamado documentário visual Baraka (1992), de Ron Fricke. O prestigiado AllMusic considera o tema “tão incrivelmente bom que a única reação possível é o puro deslumbramento.”





1 comentário:

  1. "Song of Sophia", do mesmo álbum, "Persephone (The Gathering Of Flowers)", "Cantara" e "Summoning Of The Muse" (de "Within The Realm Of A Dying Sun"), "Yulunga (Spirit Dance)" (de "Into The Labyrinth"), "Saltarello" (de "Aion"), entre outras, também poderiam fazer parte desta lista...

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