sábado, 1 de agosto de 2026

22. "Paseabase el rey moro" (1997, MA Recordings) - Begoña Olavide (Espanha)

 

A espanhola Begoña Olavide possui o título superior de flauta no Conservatório de Madrid e especializou-se na interpretação do saltério, trabalhando com o alaudista Carlos Paniagua na recuperação dos diferentes modelos da família deste instrumento. Entre outros projetos, Olavide cofundou o prestigiado agrupamento de música antiga Calamus (1980 a 1996); dirigiu o festival Tarab Tánger (Marrocos); foi solista com a Orquestra Nacional de Espanha; colaborou ativamente com referências como Jordi Savall e Montserrat Figueras;  compôs e interpretou música para obras de teatro e realizadores de cinema como Carlos Saura e José María Forqué; realizou cursos de especialização na Holanda, Jugoslávia e Espanha; e aprofundou, durante o período em que viveu em Marrocos (2005 e 2012), os conhecimentos de canto, qanoun e teoria da música arabo-andalusa. Na sua carreira musical a solo, Olavide tem-se destacado, sobretudo, na interpretação de uma música de fusão dos dois estilos mais importantes da Espanha medieval, o cristão e o muçulmano.



“Paseabase el rey moro” faz parte de "Mudejar" (1997, MA Recordings), o segundo registo da virtuosa tocadora de saltério, Begoña Olavide, e insere-se no repertório do romancero viejo tradicional hispânico e da música antiga/mudéjar. O poema narra a conquista da fortaleza de Alhama pelas tropas cristãs em 1482, no contexto da Guerra de Granada. O romancista e historiador Pérez de Hita (1544–1619) referiu-se a este romance como tendo raízes ou influências diretas de cantos fronteiriços hispano-árabes. Begoña Olavide baseou-se no compositor e vihuelista renascentista Luys de Narbaez, o responsável pela primeira versão musical escrita e polifónica conhecida deste tema.  Olavide recorre a um arranjo puramente acústico, misturando a corda pulsada medieval com o saltério, evocando sonoridades arabo-andaluzas. A voz de Begoña adota uma linha melódica fluida, despida de ornamentos excessivos modernos, focando-se na cadência narrativa e emotiva do romance medieval.





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